O TARÔ

Um halo de mistério e respeito cerca as figuras do Tarô. Seus antigos desenhos, símbolos e suas inquietantes figuras estão profundamente enraizados em mitos situados além das fronteiras do conhecimento humano. Pode-se acreditar no essas cartas dizem. Essa sensação é permanente, assim como a de tomar parte em um ritual muito antigo. Curiosos, estudiosos e pessoas angustiadas têm consultado o Tarô no transcurso dos séculos. Nenhuma ficou sem resposta.

AS ORIGENS

Ninguém sabe exatamente onde apareceram pela primeira vez estas misteriosas cartas. Já foram vinculadas aos ciganos, que desde a antigüidade têm sido considerados como os guardiões desse ramo secreto do conhecimento. É possível também que tenham surgido nos mistérios religiosos da Grécia pagã ou mesmo na ciência divina dos caldeus. O que é certo, porém, é que tanto o Tarô como os ciganos apareceram na Europa durante o período que vai desde o século XI ao século XIV.

O baralho moderno do Tarô está baseada nas investigações de um erudito Francês do século XVIII, chamado Gebelin. Seu livro O Mundo Primitivo contém ilustrações das cartas. Desse baralho de Marselha é que se derivam quase todos os outros baralho de Tarô usados no ocidente.

Cada baralho ou versão vem com instruções para as interpretações. Estas instruções podem ser longas, abrangendo aspectos comuns ou esotéricos, mas costuma-se usar versões simplificadas dessas interpretações, permitindo que se entenda sem grandes dificuldades a linguagem profunda desse oráculo.

O ideal é que se memorize todos os significados, mas nada impede que as anotações sejam consultadas, quando da leitura.

OS ARCANOS MAIORES

As vinte e duas cartas que formam os Arcanos Maiores, ou Trunfos, são símbolos misteriosos e completos. Guardam uma íntima relação com as vinte duas letras do alfabeto hebraico e com os vinte e dois ramos da Árvore da Vida, um dos conhecimentos mais importantes da Cabala.

São estes os Arcanos Maiores e seus significados:

O LOUCO

Esta carta não tem um significado específico, não sendo inclusive numerada. Quando aparece, altera o significado das outras. É a força livre da vida, já que oferece ao solicitante uma escolha entre o bem e o mal.

I — O MAGO

Posição normal: Representa a organização, o controle sobre as forças naturais, pela força de vontade. Sugere capacidade criativa e artística.

Invertida: debilidade, força usada de forma destrutiva.

II — A SACERDOTISA

Posição normal: O invisível, alcançado pelo poder de adivinhação, uma indicação de influências invisíveis no trabalho. Capacidade intuitiva.

Invertida: egoísmo, vaidade, sensualidade, superficialidade.

III — A IMPERATRIZ

Posição normal: Significa a Mãe Terra, fertilidade e matrimônio, assim como riqueza. O material alcançado como recompensa do esforço.

Invertida: esterilidade, esforço frustado, diminuição dos recursos.

IV — O IMPERADOR

Posição normal: Determinação, mando, autoridade, ajuda de aliados poderosos. Uma forte sexualidade, porém bem controlada e dirigida.

Invertida: imaturidade, falta de controle, subordinação.

V — O SUMO SACERDOTE

Posição normal: Chamado também Hierofante ou Sumo Pontífice. Representa matérias essenciais, como teologia, ritual, leis, aceitação das convenções ou êxito social e material.

Invertida: Criatividade.

VI — OS AMANTES

Posição normal: Harmonia, equilíbrio entre o interior e o exterior, sagrado e profano. Representa uma escolha baseada na atração, êxito no amor e provavelmente matrimônio.

Invertida: falta de harmonia, desconfiança, rixas, talvez divórcio.

VII — O CARRO

Posição normal: O triunfo nas dificuldades financeiras, sobre rivais e enfermidade, indicando êxito em muitas áreas.

Invertida: má saúde, êxito imerecido, intranqüilidade.

VIII — A JUSTIÇA

Posição normal: Equilíbrio, legalidade, pedantismo. Responsabilidade pelas próprias ações.

Invertida: desigualdade, injustiça, passividade.

IX — O ERMITÃO

Posição normal: Meditação, prudência, um encontro com um conselheiro sensato que deve ser escutado.

Invertida: imaturidade, recusa a aceitar os conselhos.

X — A RODA DA FORTUNA

Posição normal: Mudanças, alterações, os altos e baixos da vida, mudança de sorte inesperada ou êxito repentino

Invertida: fracasso e contrariedades, exigindo perseverança.

XI — A FORÇA

Posição normal: Coragem, força de caráter, o poder espiritual triunfando sobre a concupiscência. Capacidade para superar as adversidade. Qualquer desgraça revelada pelas cartas adjacentes fica anulada com sua presença.

Invertida: materialismo, falta de força moral.

XII — O ENFORCADO

Posição normal: Elevação espiritual ou possível desgraça, sugerindo uma pausa na vida, uma retirada para aperfeiçoar-se interiormente. Desperta a intuição espiritual.

Invertida: egoísmo, arrogância, falsa espiritualidade.

XIII — A MORTE

Posição normal: Mudanças, final de um período, seguido de um novo tempo de novos conhecimento. Representa a depois de uma tormenta ou a recompensa depois do trabalho. Simboliza também o medo auto-destrutivo.

Invertida: inércia, estagnação, revolução, talvez assassinato.

XIV — A TEMPERANÇA

Posição normal: Harmonia com os demais, adaptação, tempo de êxito. Invertida: rixas, conflitos de interesses, separação.

XV — O DEMÔNIO

Posição normal: Tentação, escolha. Algumas vezes indica crueldade, concupiscência ou enfermidade.

Invertida: começo de espiritualidade e humanidade. Indecisão.

XVI — A TORRE

Posição normal: Conhecida também como a Casa de Deus, simboliza a catástrofe ou o desastre imerecido, transtorno no estilo de vida e nas idéias, permitindo novos conhecimentos. Anuncia as ambições presentes serão frustradas.

Invertida: opressão, talvez falsa prisão. Ensina que através da desgraça ganha-se a liberdade do corpo e do espirito.

XVII — A ESTRELA

Posição normal: Esperança, inspiração, possível felicidade efêmera, vislumbre de espiritualidade e boa saúde.

Invertida: pessimismo, obstinação, melancolia, má saúde.

XVIII — A LUA

Posição normal: Decepção, inimigos secretos, perigo oculto, amor mal dirigido, ou um amor amenizado. Aumento dos poderes intuitivos.

Invertida: recomenda o uso do senso prático, evitando o risco. Após a tormenta, virá a paz.

XIX — O SOL

Posição normal: Ambições obtidas, êxito material, matrimônio feliz, satisfação, mesmo sem esforço próprio.

Invertida: Perda, talvez de um trabalho, e problemas matrimoniais.

XX — O JUÍZO

Posição normal: Despertar, novos conhecimentos, forte influência da sorte. A união espiritual com o Absoluto está a caminho.

Invertida: separação, desilusão, perda de bens mundanos.

XXI — O MUNDO

Posição normal: Recompensa, êxito satisfação, nem sempre na forma esperada. Estado de consciência cósmica e liberação espiritual.

Invertida: medo as mudanças, visão restringida e êxito fugaz.

OS ARCANOS MENORES

O Arcanos Menores correspondem a cinqüenta e seis cartas, divididas em quatro naipes: Copas, Espadas, Ouros e Paus. Há cinqüenta e seis cartas porque cada naipe tem uma carta extra, isto é, quatro figuras em lugar das três do baralho comum: Rei, Rainha, Cavaleiro e Pajem. É conveniente recordar que os naipe têm um significado por si mesmo e que predominam um sobre os outros, durante a interpretação.

COPAS: Amor, generosidade, bondade.

ESPADAS: Discrepância, rixas, separações.

OUROS: Intriga, complô, política.

PAUS: Mudança, viagem, oportunidade.

OS SIGNIFICADOS DOS NAIPES

Em posição normal ou invertida, cada uma dessas cinqüenta e seis cartas tem um significado de adivinhação que pode alterar a informação que nós dá o baralho do Tarô. O principal significado, no entanto, está sempre nos Arcanos Maiores e no poder evocativo e aterrador das figuras que descrevem. O mais que podem fazer o Arcanos Menores é modificar ou influenciar os aspectos gerais dados pelas figuras mais potentes. Orientam sobre a capacidade e manobras das pessoas, enquanto estão protegidas ou ameaçadas pelas forças que representam os Arcanos Maiores.

Está claro que o Tarô pode alcançar níveis profundos do subconsciente. Algumas pessoas, quando vêem a preparação de um baralho dessas cartas sobre a mesa, sentem calafrios de receio, de inquietação ou de hesitação, mesclados com um certo terror, que normalmente se experimenta ao enfrentar o desconhecido, o misterioso ou o sobrenatural.

Quem já conseguiu ir fundo nas complexidades do baralho do Tarô, possui uma certa segurança e uma visão diferente do mundo que o cerca, pois está ciente dos diversos níveis de conhecimento que nos cercam. Para chegar nesse nível, no entanto, é preciso conhecer melhor os significados de cada uma das setenta e oito cartas, já que uma leitura completa exige um alto nível de intuição, assim como de inteligência para combinar os significados individuais das cartas, os impulsos da intuição, chegando a uma interpretação coerente. Quem alcançar esse domínio terá conseguido para si uma nova visão do mundo.

A LEITURA DAS CARTAS DO TARÔ

Em primeiro lugar, assim como na Cartomancia simples, escolhe-se a carta do cliente. Para isso, abre-se os arcanos maiores num leque e pede-se ao cliente que escolha a carta que interpreta seus sentimentos ou pensamentos naquele momento. Algumas formas de leitura dispensam o uso da carta do cliente.

Em seguida, pega-se o restante do baralho, embaralha-se e coloca-se sobre a mesa. O cliente põe a mão esquerda sobre o monte, pensa na pergunta ou no assunto para o qual deseja esclarecimentos, depois corta o baralho em três montes, pondo cada um a esquerda do anterior. Corta-se o primeiro dos montes, usando-se as cartas que ficaram para a leitura. Dependendo do método a ser usado, os montes são usados da esquerda para a direita.

Vejamos dois dos métodos mais freqüentes de leitura do Tarô, começando com...

MÉTODO DA CRUZ CÉLTICA

Seguir os seguintes passos:

1 — Põe-se a carta do cliente no centro da mesa. Depois, viradas com as figuras para cima, colocam-se dez cartas da forma seguinte:

2 — CARTA DE COBERTURA, colocada sobre a carta do cliente, transmite a influência do trabalho em torno ao cliente em questão.

3 — CARTA CRUZADA, colocada de lado, transversalmente à carta do cliente e a de cobertura, mostra as forças opostas. Observa-se que se a carta de cobertura não é favorável, estas forças opostas podem ser boas.

4 — DEBAIXO, carta colocada diretamente por debaixo das cartas centrais, para formar

o primeiro braço de uma cruz. Indica uma experiência passada, relacionada com o assunto para o qual se busca respostas.

5 — ATRÁS, carta situada à esquerda das cartas centrais, formando o segundo braço da cruz. Significa uma influência passageira.

6 — COROA ou braço superior da cruz, indica um possível acontecimento futuro.

7 — ADIANTE, ou braço direito da cruz. Esta carta significa acontecimento em um futuro muito próximo

À direita da cruz há quatro cartas colocadas em uma fila vertical. Começando de cima para baixo:

8 — TEMORES, a carta de baixo, revela o resultado do que mais teme o cliente.

9 — AMBIENTE, a segunda de baixo para cima, soma as opiniões da família e dos amigos sobre a questão.

10 — ESPERANÇA, indica quais as esperança ansiadas pelo cliente irão acontecer.

11 — RESULTADO, a carta superior e a última, resume a mensagem de todas as outras, assim como indica o resultado. Se a última carta for impossível de interpretar ou sua interpretação é muito vaga, o melhor é começar de novo, desta vez colocando-a no centro, em lugar da carta do cliente. Se mesmol assim não se chegar a uma mensagem satisfatória, é melhor não insistir.

O MÉTODO DA ÁRVORE DA VIDA

Este método utiliza as 78 cartas para a leitura da vida. A primeira carta inicia a fila ou coluna central; a carta 2 vai a direita, a carta 3 à esquerda. Logo, a carta 4 é posta debaixo da 2, a 5 debaixo da 3 e a 6 debaixo da 1. A carta 7 debaixo da 4. A 8 debaixo da 5, a 9 debaixo e separada da 6. Finalmente a carta 10 situa-se debaixo da 9, como se estivera na base da árvore.

Feito isso, repete-se a distribuição das cartas, seguindo a mesma ordem, pondo-as sobre as anteriores, até que em cada lugar haja sete cartas. As oito cartas restantes são

postas de lado. Na interpretação dessa distribuição, as cartas de cada monte se referem aos

diferentes aspectos da vida.

Monte 1: refere-se à espiritualidade.

Monte 2: tem a ver com a criatividade e a iniciativa.

Monte 3: está relacionado com as obrigações da vida.

Monte 4: refere-se às virtudes e aos benefícios econômicos.

Monte 5: tem a ver com a luta e a conquista.

Monte 6: trata da saúde, da fama e do sucesso.

Monte 7: cuida do amor.

Monte 8: tem a ver com as artes, as ciências e outras habilidades.

Monte 9: está relacionado com a imaginação.

Monte 10: base da árvore, corresponde ao corpo no sentido físico.