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Oxossi, deus dos caçadores, seria irmão mais jovem ou
filho de Ogun. Seu culto encontra-se quase extinto na África, nos países de
língua Yorubá, o entanto é muito difundido no Novo Mundo, tanto no Brasil quanto
em Cuba. Isto explica-se, talvez, pelo fato de Kétu, na África, haver sido
completamente destruído e saqueado pelas tropas do rei Daomé, no século passado,
sendo os seus habitantes vendidos como escravos para o Brasil e para a Cuba,
inclusive os iniciados no Culto de Oxossi, chegou-se a tal ponto que, embora
existindo ainda, em Kétu, os locais onde Oxossi recebia outrora oferendas e
sacrifícios, já não existem, atualmente, pessoas que saibam ou desejam
cultuá-lo.
No Brasil, seus numerosos iniciados usam colares de cor verde ou azul claro
quinta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado; Oxossi tem como o símbolo,
tanto na África como no Brasil, um arco e flecha de ferro batido; sacrificam-lhe
porcos e são-lhe oferecidos pratos de Axoxo, milho fervido, servido com pedaços
da polpa de coco. Oxossi é sincretizado na Bahia com São Jorge e, no rio de
Janeiro, com São Sebastião. No decorrer das cerimônias públicas do Xiré dos
Orixás, ele segura em uma das mãos o arco e a flecha, seus símbolos, e tem na
outra um Erukerê, espanta-moscas, insígnia de dignidade dos reis da África e que
lembra e ter sido ele so rei de Kétu. Suas danças imitam a caça, a perseguição
do animal e o arremesso da flecha. É sau dado com o grito Oké
A importância de Oxossi devi-se, na África, a diversos fatores:
O primeiro, era descoberta, no decorrer de suas expedições, de local favorável
ao estabelecimento de uma roça ou de um vilarejo. Tornava-se, assim, o primeiro
ocupante do lugar e senhor da terra, Onilé, com autoridade sobre os habitantes
que aí viessem a se instalar posteriormente.
O terceiro, de ordem administrativa e policial pois, outrora, os caçadores, Odés,
eram os únicos a possuir armas nos vilarejos, servindo também como guardas
noturnos, Oxós.
uma lenda explica a origem do nome de Oxossi:
"Olofin Odudúa, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, esquecendo-se,
porém, de fazer uma oferenda às feiticeiras. Havia grande multidão no pátio do
Palácio Real.
Olofin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas
mulheres e de seus ministros, enquanto que escravos o abanavam e espantavam
moscas, tambores batiam e louvores eram entoados em sua honra. Os convivas
conversavam alegremente, e felizes festejavam o vento, comendo os inhames novos
e bebendo vinho de palma. Subitamente, um pássaro gigantesco planou sobre a
multidão, indo se empoleirar sobre o teto do prédio central do Palácio do Rei.
Este pássaro malvado era mandado pelas feiticeiras, chamadas Eleyés,
proprietárias de pássaros utilizados na realização de nefastos trabalhos. No
Palácio reinava a confusão e o desespero. Foram procurados, sucessivamente,
quatro Oxós, caçadores guardiães da noite, chamados respectivamente de Oxotôgun,
o atirador de vinte flechas, Oxotoji, o atirador de quarenta flechas, Oxatadotá,
o atirador de cinqüenta flechas e Oxótakanxox, o atirador de uma única flecha.
Nenhum dos três primeiros - todos muitos seguros de si mesmo um pouco fanfarrões
- conseguiu atingir o pássaro, apesar de possuírem, todos eles, grande
habilidade. O pássaro, de proporções gigantescas, era protegido pelo poder das
feiticeiras.
Quando chegou a vez de Oxótakanxox, sua mãe foi consultar um Babalaô que lhe
declarou o seguinte: "Seu filho está somente a um passo, seja da morte, seja da
riqueza. Faça uma oferenda e a morte se transforma em riqueza".
Ela foi depositar, então, na estrada, uma galinha que havia sido sacrificada,
cortando-lhe e abrindo-lhe o peito, pois essa foi a boa maneira de se fazer uma
oferenda às feiticeiras. A mãe de Oxátakanxoxô pronunciou três vezes um
encantamento: "Que o peito do pássaro aceite esta oferenda!!!" Era o momento
preciso em que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro deixara relaxar,
exatamente agora, o seu poder protetor, o qual teria impedido a oferenda de
chegar ao seu peito e, assim, a flecha de Oxátakanxoxô o atingiu em cheio. Ele
caiu pesadamente ao chão e morreu. Todo mundo se pôs a cantar e a dançar:
"Oxowusi! Oxo é popular! Oxowusi! Oxo é popular!"
Com o passar do tempo, Oxowusi transformela ou-se em Oxossi.
Conta-se no Brasil, que Oxossi era irmão de Ogun e de Exú, todos três filhos de
Yemanjá. Exú, por ser indisciplinado e insolente com sua mãe, foi por mandado
embora.
Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogun trabalhava no campo e Oxossi
caçava nas florestas vizinhas. A casa encontrava-se, assim, abastecida de
produtos agrícolas e de caça. Yemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu
consultar um Babalaô. Este aconselhou não mais deixar Oxossi ir à caça, pois se
arriscava a encontrar Osanyin, aquele que possuía o conhecimento das virtudes
das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxossi ficaria exposto,
assim, a um feitiço de Ossanyin para obrigá-lo a permanecer em sua companhia.
Em vista disto, Yemanjá ordenou ao filho que renunciasse às suas atividades de
caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou as suas incursões
à floresta. Partia em companhia de outros caçadores que tinham o hábito de, ao
chegarem aopé de uma grande árvore, Iroko (Chlorophora excelsa), se separarem,
indo à caça isoladamente, para se encontrarem, no final do dia, no mesmo local.
Certa noite, Oxossi não voltou ao local do encontro, nem respondeu aos apelos
dos outros caçadores. Ele tinha encontrado Ossanyin que o convidou à beber uma
poção onde certas folhas tinham sido maceradas, caindo assim em estado de
amnésia. Não sabia mais quem era nem onde morava. Ficou, pois, vivendo em
companhia de ossanyin, como havia previsto o Babalaô.
Ogun, inquieto pela ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas
profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas Yemanjá , irritada, não quis
receber o filho desobediente. Revoltado com a intransigência materna, Ogun
recusou-se a continuar em casa. É por este motivo que o local consagrado a ogun
encontra-se sempre ao ar livre. Quanto a Oxossi, este preferiu voltar para a
floresta, para perto de Ossanyin, Yemanjá desesperada por ter perdido os três
filhos, transformou-se em um rio.
O contador desta lenda, no Brasil, destaca o fato de que "estes quatro deuses
Yorubás-Exú, Ogun, Oxossi e Ossanyin - são igualmente simbolizados por objetos
em ferro forjado e vivem todos eles ao ar livre".
O arquétipo de Oxossi é aquele das pessoas espertas, rápidas, sempre alertas e
em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre na pista de novas
descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos
cuidados para com a família, são hospitaleiras, generosas, amigas de ordem, mas
gostam muito de trocar de local de residência e achar novos meios de existência
em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e
calma.
Uma lenda explica como surgiu o nome de Òsóòsì, derivado de Òsówusì (“o
guarda-noturno é popular’’): “Olófin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos
novos inhames, um ritual indispensável no início da colheita, antes do quê,
ninguém podia comer desses inhames. Chegado o dia, um grande multidão reuniu-se
no pátio do palácio real. Olófin estava sentado em grande estilo, magnificamente
vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto os escravos o
abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e louvores eram entoados
para saudá-lo. As pessoas reunidas conversavam e festejavam alegremente, comendo
dos novos inhames e bebendo vinho de palma. Subitamente um pássaro gigantesco
voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do prédio central do palácio. Esse
pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi Òsòròngà, chamadas
também as Eléye, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas utilizam-nos
para realizar seus nefastos trabalhos. A confusão e o desespero tomaram conta da
multidão. Decidiram, então, trazer, sucessivamente, Oxotogun, o caçador das
vinte flechadas, de Idô; Oxotogí, o caçador das quarenta flechas, de Moré;
Oxotadotá, o caçador das cinqüenta flechas, de Ilarê, e finalmente Oxotokanxoxô,
o caçador de uma só flecha, de Iremã. Os três primeiros, muito seguros de si e
um tanto fanfarrões, fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar
do tamanho deste e da habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô,
filho único, sua mãe foi rapidamente consultar um babalaô, que lhe declarou:
“Seu filho está a um passo da morte ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte
tornar-se-á riqueza”. Ela foi então colocar na estrada uma galinha, que havia
sacrificado, abrindo-lhe o peito, como devem ser feitas as oferendas às
feiticeiras, e dizendo três vezes: “Que o peito do pássaro receba esta
oferenda”. Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. O
pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu
peito, mas foi a flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro
caiu pesadamente, se debateu e morreu. Todo mundo começou a dançar e a cantar:
“Oxó (Òsó) é popular! Oxó é popular! Oxowussi (Òsówusì)! Oxowussi!! Oxowussi!!!”
Com o tempo, Òsówusì transformou-se em Òsóòsì.
Conta-se no Brasil que Oxóssi era irmão de Ogum e de Exu, todos os três filhos
de Iemanjá. Exu era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o
mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no
campo e Oxossi caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casa estava
sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, andava
inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou proibir que Oxóssi
saísse à caça, pois arriscava-se a encontrar Ossaim, aquele que detém o poder
das plantas e que vivia nas profundezas da floresta. Oxóssi ficaria exposto a um
feitiço de Ossaim para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu,
então, que Oxóssi renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de
personalidade independente, continuou suas incursões à floresta. Ele partia com
outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande
árvore (ìrókò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a
encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Oxóssi não voltou para
o reencontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele havia
encontrado Ossaim e este dera-lhe para beber uma porção onde foram maceradas
certas folhas, como a amúnimúyè, cujo nome significa “apossa-se de uma pessoa e
de sua inteligência”, o que provocou em Oxóssi uma amnésia. Ele não sabia mais
quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossaim, como
predissera o babalaô. Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua
procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas
Iemanjá não quis mais receber o filho desobediente. Ogum, revoltado pela
intransigência materna, recusou-se a continuar em casa (é por isso que o lugar
consagrado a Ogum está sempre instalado ao ar livre). Oxóssi voltou para a
companhia de Ossaim, e Iemanjá, desesperada por ter perdido seus filhos,
transformou-se num rio, chamado Ògùn ( não confundir com Ògún, o orixá). O
narrador desta lenda chamou atenção para o fato de que “esses quatro deuses
Iorubás- Exu, Ogum, Oxóssi e Ossaim – são igualmente simbolizados por objetos de
ferro forjado e vivem todos ao ar livr