Tenho percebido em vários terreiros
(que visito) que a grande maioria das pessoas desconhece o significado de
algumas saudações, de certos gestuais, de certos fundamentos...
Por exemplo: Porque em algumas situações tocamos o solo do terreiro com os dedos? Porque tocamos também o solo com nossa fronte? Porque
saudamos o atabaque (geralmente) tocando o chão à sua frente? O que significa Okê Arô, Atotô... ? Porque giramos em torno de nós mesmos antes de "bater
cabeça"?
Esses são apenas alguns exemplos de comportamento ritual que vejo as pessoas terem sem saber o significado... Vamos utilizar esse tópico
para aclarar essas questões?
*Na minha
casa quando tocamos o solo seja na frente do atabaque ou quando entramos no
congá seja o que for cruzamos o solo fazendo o "sinal da cruz" no
chão. Mas na verdade com este gesto, estamos saudando o alto, o embaixo a direita e a esquerda.
*"- O toque no chão com as pontas dos dedos,
independente se ao entrar no Terreiro ou na frente dos atabaques, tem a
finalidade de saudar o “chão”, de onde vem e onde está firmada a força do(os)
Orixá(s) regentes da Casa, pedindo licença e permissão (antes de entrar) e dos
Atabaques (frente a estes) pedindo seu auxílio em nossos trabalhos;"
Destaco uma parte que acho fundamental: "o “chão”, de onde vem e onde está
firmada a força do(os) Orixá(s) regentes da Casa ..."
Tocar o
chão.
Acreditavam os nagô que existiam nove espaços
(planos) no além. Entre os quatro superiores e os quatro inferiores, havia um
plano intermediário que se localizava (exatamente) no espaço ocupado por nosso
planeta; esse seria o plano astral terrestre. Era através desse espaço que
chegavam à Terra os orixás e ancestrais vindos dos
vários outros planos.
Surgiam, pois, para os nagô, os orixás e ancestrais de dentro da Terra. Assim,
quando desejam chamar os orixás, os nagôs tocavam três vezes os
solo (após o nome do orixá ser pronunciado).
O solo diante dos tambores também era tocado (antes ou depois de tocarem com os
dedos o próprio atabaque), afinal, quem chamava (através do som) os orixás eram
os tambores.
O solo era sempre tocado três vezes; o três representa na cultura nagô ação,
movimento, expansão ... Tocar o solo três vezes era o
gestual que significava o "assim seja", o cumpra-se
... Então quando, por exemplo, o nome de Ogum pronunciado, todos tocavam
três vezes o solo; "assim seja", "que Ogum venha até
nós"...
No Brasil, os africanos, para consagrar o solo, para transformar o terreiro em
uma pequena África, enterravam relíquias trazidas (da África)
... tranformando
(ritualmente) o solo brasileiro em solo africano ("chão" dos seus
orixás).
Hoje, convém lembrar, outros significados foram agregados a esses costumes.
Existe um
mito que diz que Ogum, após ter se arrependido de um ato de maldade com relação
as pessoas do seu reino, ele fincou sua espada no chão
(terra) e desapareceu por dentro dela, assim tornando-se Orixá.
Provavelmente, existem outros mitos que expressam a identificação dos Orixás em
relação ao solo (chão).
Assim como os
orixás, de acordo com os mitos, surgiam do solo, por ele retornavam aos outros
planos do além (oruns).
Tocar o chão outra visão
Tocar o chão
três vezes também tem um significado de saudar pretos-velhos,
criança e caboclo (se não me engano orientação do Pai Zélio
de mOraes) Com o dedo
indicador bate-se três vezes no chão, ou seja simbolismo do triângulo, pedindo
licença a estas entidades para trabalhar.
Para nossa casa também
aprendemos que primeiro se bate três vezes o dedo médio no chão (no altar, nos
atabaques e no ponto de força central {Ixê}) e depois
três toques com o mesmo dedo na cabeça (fronte, em cima da orelha e na nuca)
significando que vc está se entregando de corpo,
mente e alma, para a Umbanda, simbolizada em caboclos, pretos e crianças. A
explicação do Jorge sobre Ori, tem
tudo a ver com o que significa para nossa casa este gesto, que graças a ele
entendi melhor.
***Existe na
Umbanda, uma saudação a todos os Orixás que consite
em deitar de bruços e tocar com a cabeça no chão. Essa saudação chama-se
Dobalé.
No Candomblé há uma distinção em relação a essa saudação, quando orixá masculino saudamos com Dobalé, quando orixá feminino
saudamos com Iká que é meio complicado de explicar
como é feito.
Com relação a Exú não conheço nenhum tipo de saudação
específica, sei que nos "candomblés" se faz o Padê
que é uma obrigação a Exú realizada antes de qualquer
cerimônia, e que seu "toque", cântigo
ritual é o Exó.
**O abraço tocando os ombros? qual o significado?
Creio que o toque nos ombros (direito e esquerdo) decorra de uma estrutura
polar na cultura religiosa nagô:
Masculino/Feminino, Positivo/Negativo, Direita/Esquerda ...
Em muitos mitos nagô os orixás e ancestrais masculinos sempre aparecem
relacionados ao lado direito e os femininos ao lado esquerdo .Acredito por essa
razão se toque o lado direito e esquerdo ...
Em tempo: além de orixás e ancestrais, certas energias se relacionam com o lado
direito e outras com o esquerdo ...
***O
ponto é algo característico da entidade ou orixá que está se
manifestando...
Os pontos riscados das entidades são desenhos formados a partir de um conjunto
de símbolos-magísticos que são riscados com a pemba (espécie de giz)... geralmente
é riscado na cor na entidade... Quando o ponto é riscado ele serve para
identificar a entidade que ali baixou, as combinações desses desenhos exprimem
muito a qualidade, falange e tipo dessa entidade ou orixá... Muitos pontos são
riscados pelas entidades e orixás afim de ser usado
como ponto de energia em alguns trabalhos que estão sendo efetuados dentro do
terreiro (durante a sessão).Eles poderão ser riscados no chão ou tábuas...
Cada entidade é única, cada deverá ter o seu ponto magístico
(riscado), é claro que podem acontecer de haver semelhanças... mas no geral são quase que individuais...
**O Ponto cantado tbm é um cântigo
que caracteriza a entidade ou o orixá que está ali atuando... muitas entidades descem quando cantam seu ponto ritual... é aquele ponto específico, que o Ogan
toca, que faz a conexão entre o médium e a entidade, acontecendo assim a
manifestação...
*As ervas: realmente, as ervas com
"leite" ou algum tipo de látex, costumam ter
folhas urticantes.
Mas na liturgia, as ervas são consideradas quentes ou frias mais pelo efeito
que provocam quando num banho. Ou sejam, são
utilizadas para acalmar ou animar o cidadão.
Por exemplo: o tapete de Oxalá é uma erva fria de Oxalá , assim atua de modo a
"acalmar" situações de conflito interno, problemas emocionais. Coisas
De Oxalá. O elevante é uma erva quente de Oxalá, portante estimula o raciocínio, a determinação.
Xangô: na tradição que professo, um Orixá ser quente ou frio tem a ver
com o fundamento dele, ou seja, a quais forças está interligado.
Seria como com quem um falangeiro de determinado
Orixá está cruzado. Se o fundamento for um outro orixá
"endendezado", como Omolu
ou Iansã, o "santo é quente".
Um orixá mais "encanjicado", tal qual
Oxalá, deixa o santo mais frio.
Na verdade são outras formas de se ver a polarização do todo, no mais bom
estilo YIN / YANG afro.
O significado dos Brados dos Orixás:
*Yemanjá - Odô iá!
Odô= Rio - iá (iyá)= mãe, conclusão Mãe do Rio.
Vale lembrar que Yemanjá na África era considerada
orixá dos rios, especialmente do rio Ogun, ao ser
trazida para o Brasil foi considerada Senhora do Mar.
*Oxalá - Epá, Babá! - Epa=
exclamação de surpresa, terror (como de Iansã), Baba= Pai, seria uma surpresa
ao ver o Pai (saudar o Pai). Não só para Oxalá se saudava assim, isso dizia-se para alguns orixás e eguns em cerimônias na África.
*De Oxossi - Okê seria "aquele que grita", no caso Kê é gritar,
Arô é um título de honra, uma autoridade, portanto Okê Arô seria a Autoridade que
fala mais alto, superior.
*Laroiê (laróyè) é uma
palavra irorubá que significa "pessoa muito
falante", comunicativa. "Mo juba" é uma saudação, "meus
respeitos”.
Essa é a saudação para Exu (da cultura nagô), o mensageiro, o que comunica aos
homens a vontade dos orixás e, a estes, leva o pedido dos homens.
Laroiê, Exu! Exu e mo Jubá! Laroiê, Exu! =
Mensageiro, Exu!
Exu e mo Jubá! = Exu a vós meus respeitos!
*O significado da saudação a Ogum = Pataki seria uma
palavra Iorubá que significa,
importante, principal.
Orí - cabeça.
* Ogum Iê! Patakori Ogum!
Ogum Iê (Ògún yè) significa (em iorubá),
segundo alguns, Ogum sobreviveu ou, ainda, Ogum é forte. Eu prefiro a tradução
(mais comum) "Olá Ogum!", com o sentido de "Salve Ogum”.
Patakori vem de pataki
(principal, importante, supremo) + ori (cabeça).
Isso, porque nos mitos Ogum sempre vinha à frente dos orixás abrindo caminho,
direcionando, logo, Ogum é o "O Cabeça Principal”.
*Atotô é
reverência, saudação!
*Epa hei! Epa é uma exclamação
de surpresa ou espanto,
hei é como se dizer Olá, oi.
Portanto
quando saudamos Iansã é como dizer para ela Com ar de Surpresa um Oi, um Olá !Tipo... Oláááááááááááááááááá...
* No caso de Oxalá... Epa Babá!
Seria a mesma Surpresa em recebê-lo, mas proferindo o Babá (que significa Pai)...Muito bom isso né , saber o que falamos em nossas
saudações, saber como nos referimos aos nossos queridos Orixás.
*Saudação à Xangô ..."Ká wóó
ká biyè si!"
A tradução seria, segundo Olga Cacciatore:
"Permita-nos olhar para sua Alteza."
Já para Pierre Verger: "Venham ver (e admirar) o
Rei."
Se tem grafado aportuguesadamente "Caô Cabieci" ou "Cauô Cabieci".
Muitas vezes se acrescenta a palavra Ilê, que significa casa; Cabieci + ilê = cabiecilê.
Então, Caô Cabiecilê, seria: Venha ver
(admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa.
*Oxum = Ora iêiê ô! Deriva do irorubá "Oore yèye" que significa "benevolente mãezinha". "Ora
iêiê ô", seria "Salve benevolente mãezinha!" ...
Em muitas casas se pronuncia Aiêîê ô!, outra corruptela da saudação original.
*Saudação
à Nanã.
Salubá Nanã!
"Sálù bá Nàná!" = Nos refugiaremos com Nanã!
*Saudação às crianças.
A saudação às crianças na Umbanda, tem sua
origem na saudação ao "orixá" protetor dos gêmeos em África.
Oni Ibejada, Oni Ibejá ou Oni
Ibeji, são saudações que derivam de "Oni Ibéji", que significa:
"Senhor dos Gêmeos".
*Saudação
à Oxumarê.
Arô Boboi!
Arô = título de honra (pessoa importante).
bó
= suportar. bò = retornar. yí = voltar (dar a volta).
Logo Oxumarê, cuja representação é o arco-íris, é a
pessoa importante que suporta o céu, retorna a terra e volta ao céu.
Vai e vem, mobilidade, continuação, equilíbrio, alternância de ciclos, opostos
complementares ... isso tudo é Oxumarê
...
Oxumarê é raríssimo na Umbanda (e até mesmo no
Candomblé).
Em termos astrológicos, Oxumarê corresponderia ao
signo de Libra.
*Obaluaiê na saudação à Exu.
Um dos títulos de Obaluaiê é "Babá Igbonã", ou seja, Pai da quentura. Obaluaiê
está ligado, segundo mitos, ao Sol e ao Magma .Daí,
não é de se estranhar que, ao se louvar Exu em seu aspecto fogo (Inã), se louve também o Pai da Quentura ...
**Com
relação ao saudar os atabaques aprendi que ali se saúda Ilú!
Responsável pelos atabaques, que facilita o desprendimento mental do médium e
facilita a conexão médium-entidade.
Sauda-se o solo, como ato de respeito ao dono do chão e como forma de se pedir
licença, e da mesma forma, por respeito, não se dá as costa ao sair.
*Girar em torno de si.
Acredito que o fato de girarmos em torno de nós mesmo representa uma
volta ao passado.
Quando entramos no terreiro e iremos saudar o representante, dirigente, ou até
mesmo as entidades e orixás, giramos em sentido anti-horário que representa a
volta as raízes, antepassados, pois ali iremos voltar no passado para cultuar
ancestrais...
Até mesmo quando uma entidade ou orixá vem à terra e
giram, eles giram em sentido anti-horário que caracteriza o que falei acima, a
volta ao passado.
Para acrescentar o excelente texto:
Giramos em torno de nós simbolizando a união de todos os mundos (dos homens,
dos antepassados, dos orixás).
O sentido anti-horário, além da volta, representa a busca de algo que está além
do tempo (do plano físico).
Estamos, pois, diante do congá (por exemplo), rogando à Olorun
(Zambi, Deus) que permita que (naquele momento) nosso mundo, o mundo dos
antepassados e dos orixás sejam um só. Estamos unindo, ritualmente, passado e
presente, o sagrado e o profano.
O sentido de volta no tempo (na verdade, unidade com o mundo dos orixás e
antepassados), decorre de (na crença nagô) no inicio, após a criação do
planeta, os orixás terem vivido entre os homens (nossos antepassados). Assim,
voltar àquele tempo é, na verdade, promover a unidade entre os mundos.
Giramos, antes das saudações, diante do congá, do Zelador, Atabaque. O congá
representa o mundo dos orixás (ao qual queremos nos unir), o Zelador é o
representante dos orixás, o atabaque o instrumento que "chama os
orixás", que estimula a nossa união (transe) com eles.
- A rotação tem a finalidade de buscar harmonia e equilíbrio antes de bater
cabeça;
- Batemos a cabeça no chão em sinal de respeito e obediência aos Orixás, pois
simboliza que nossa cabeça, que nos comanda e nos rege, está se subordinando ao
poder dos Orixás aos quais estamos reverenciando ao tocá-la no chão, sejam os
Orixás do Zelador ou do Gongá.
“Como curiosidade, em diversas culturas, sejam
ocidentais ou orientais, baixar a cabeça perante alguém ou alguma coisa
significa que estamos submissos e obedientes a esta pessoa ou coisa, pois ao
baixarmos a cabeça ficamos totalmente indefesos contra um ataque de quem está a
nossa frente.”
Outra
visão da rotação...
Transcrevo aqui outra explicação para a rotação, diferente da dada pela
Priscila e Jorge, que tem origem na cultura Africana.
Gostaria de ressaltar que não estou concordando ou discordando de qualquer das
duas, pois a explicação africana tem base em mitos e tradições, e esta que
divulgarei tem a postura mais “científica”, sendo que acho importante em um
tópico de estudos que todas as visões sejam expostas para que todos possam
comparar e analisar, adotando a que for mais convincente para si.
(continua...)
Fonte:
Jornal de Umbanda Sagrada
Banhos Ritualísticos e Chacras – Rodrigo Queiroz
Pólos Energéticos:
Além, dos aspectos já mencionados, é importante, também entender a anatomia
espiritual, sob o aspecto dos pólos energéticos. Todo corpo energético é igual
a uma pilha elétrica, onde temos, os pólos positivo e negativo, coexistindo
para manter o equilíbrio neutro.
O lado Direito do corpo, a fronte e a linha média do peito e do ventre tem
polaridade positiva, (conforme mostra a figura ao lado), assim, a parte frontal
do corpo, tem o predomínio do pólo positivo.
O lado esquerdo, a nuca e a coluna vertebral, tem a polaridade negativa, assim
a maior parte das costas, tem a predominância da polaridade negativa.
Os pólos negativos, não têm efeito prejudicial no organismo, pois não tem
relação com as energias negativas, estas sim, são prejudiciais ao organismo dos
seres.
Se notarmos, os chacras tem, pela frente, a
polaridade positiva e por trás a negativa.
Se, num passe, colocarmos a mão esquerda (-) nas costas (-) e a direita (+) na
parte frontal (+), ativamos as energias, pois há excitação, aquecimento, força
e sono magnético. Se efetuarmos o passe com as mãos invertidas, ou seja a direita (+) nas costas (-) e a esquerda (-) na
frente (+) , criamos um desbloqueio no fluxo energético, acalmando os chacras, causando a calma e o descongestionamento
energético.
Cada um destes métodos tem a sua eficiência, ora ativando, ora acalmando os
centros de forças.
Rotação
Magnética dos Corpos:
Além da polaridade mencionada, há também, a rotação magnética dos corpos.
Baseado no mesmo princípio químico, em que os átomos têm um dos seus elementos,
o elétron, gravitando magneticamente, em volta do núcleo atômico (prótons e neutrons), produzindo a chamada rotação magnética, temos nos corpos astrais, esta rotação. O sentido da rotação, difere entre um ser encarnado num corpo masculino de um
ser encarnado num corpo feminino.
Temos, assim a Rotação
Esta rotação é importante, pois determina em que sentido magnético vibra um
corpo astral
Link: http://www.jornaldeumbandasagrada.com.br/doutrina_01pg6.php
===================================
Achei interessante que esta teoria diz que o elemento
feminino deve girar para a esquerda (anti-horário), que é o sentido citado por
vocês e indicado na cultura africana.
*Com relação
à rotação magnética dos corpos, existem várias correntes de pensamento dentro
do esoterísmo; uns admitem a teoria de um sentido de
rotação para os homens e outro para as mulheres; outros, essa é a mais aceita,
admitem a existência de duas correntes magnéticas (em sentidos opostos) tanto
nos homens quanto nas mulheres ... Uma das correntes
(de rotação) magnéticas teria a capacidade de atrair determinadas forças
cósmicas, a outra de repeli-las. Qual forças seriam atraídas e qual seriam repelidas, isso dependeria das vibrações que emitissemos (que constituiriam nosso campo áurico) ... aí, para falarmos da qualidade das vibrações que emitimos,
teríamos que falar das energias absorvidas pelos chakras e das energias por
eles expelidas (após serem processadas) ...
Como as energias liberadas pelos chakras são, digamos, tingidas (influênciadas) por nosso mental e emocional, certamente o
fato de sermos homens ou mulheres, além de outros fatores, influiria nas
energias que atraimos ou repelimos
...
Em termos de fundamentos (dentro da cultura afro-brasileira), certamente, os apectos acima mencionados influiriam, por exemplo, na
capacidade da mulher (segundo a tradição) de servir como canal para a manifestação
dos orixás e os homens não (antigamente homem não era feito iaô).
Lembremos que anatômica (e psicológicamente) a mulher
foi feita para receber, para ser penetrada ...
Bem ... o assunto vai longe ...
Para concluir: existem, muitas vezes, relações entre fundamentos da
religiosidade afro-brasileira e de outras correntes ... No tocante à roda de
dança o sentido (pelo menos o principal) é o de retorno ao inicio da criação e
de conexão com os orixás.
Acho que o que foi levantado sobre homens e mulheres, em termos de energia (e
polaridade), pode ao menos nos auxiliar a encaminhar melhor o assunto ...
Espero que eu tenha conseguido um mínimo de objetividade;
* Eu acredito
sim que haja correlação, e que muitas tradições existam com base em algum fator
desconhecido pelas pessoas encarnadas, transmitidos mentalmente /
espiritualmente pelos desencarnados, e simplesmente aceitos e não questionados
quando na época de sua adoção pela cultura do povo, por falta de conhecimento,
digamos, “técnico”, das pessoas que os adotaram.
Pensando bem, acho que isto acontece até hoje, quando Zeladores recebem
mensagens do Astral para adicionarem preceitos “A” ou “B”
Quanto ao sentido da rotação, já vi diferentes orientações quanto ao sentido,
não prevalecendo o anti horário como reza a tradição, segundo seu relato.
Como já disse, estou mais para espectador, e aguardarei outras opiniões, suas
ou de outros que queiram opinar também.
Pólos Energéticos:
"Além, dos aspectos já mencionados, é importante,
também entender a anatomia espiritual, sob o aspecto dos pólos energéticos.
Todo corpo energético é igual a uma pilha elétrica, onde temos, os pólos
positivo e negativo, coexistindo para manter o equilíbrio neutro."
Masculino/Feminino, Positivo/Negativo, Deireita
Esquerda ... a leitura dos mitos africanos nos deixa
bem evidente a importância do conceito de polaridade cósmica, e em todos os
níveis, na cultura nagô.
1. No tópico que tratamos dos signos contidos no Ori
(cabeça) podemos perceber isso ...
2. A criação do universo se dá a partir da bipolarização de Olorun
(o Deus único) ... o Um se
torna dois (Oxalá/Odudua) e gera o três (exu), a
diversidade, o elemento criado.
Ainda no final do mito da criação, Oxalá (masculino, positivo, direita) e Odudua (feminino, negativo, esquerdo), após muita luta,
acabam se unindo (manter o equilibrio).
Só para acrescentar.
Rodas de
dança.
As rodas de dança em homenagem aos orixás, comuns em muitos terreiros,
também seguem o sentido anti-horário, pelas razões anteriormente postadas .
Evidentemente, os significados foram enriquecidos devido ao contato com a
cultura indígena e européia.
***E o gesto em que se toca a testa com uma
mão e a nuca com a outra e depois a nuca e a testa invertendo as mãos?
Antes de qualquer coisa é
necessário fazermos algumas colocações sobre ORI (A CABEÇA); para os africanos Ori era a parte mais importante do corpo, era sagrada. Ori era composta por ORI ODE, a cabeça física; por ORI INU,
a cabeça interior, a mente, a personalidade, o Eu inferior; por ORI ORUN, a
consciência (espirito), o Eu superior.
Antes de encarnar cada Ori Orun
tinha uma Ori Inu moldada
no além; recebia então o seu odu (signo regente da
vida), a força ancestral (o legado ancestral) e seu orixá (s).
Cada elemento mencionado tem representação ritual: o ODU está relacionado com a
TESTA (OJU-ORI), a parte da frente, o nascente, o futuro a ser desenvolvido; o
legado ancestral está relacionado com a parte de trás (IKOKO ORI), o poente; o
orixá masculino com o lado direito da cabeça (apá otun); o orixá feminino com o lado esquerdo da cabeça (apá osi).
Durante alguns ritos a cabeça era tocada para saudar e invocar as forças nela
contidas. O gestual que mencionastes é um deles, na verdade uma variação (menos
complexa).
A Umbanda, que não herdou todos os preceitos africanos, não reproduz, pois, em
sua ritualística todos eles. Creio mesmo que, na maioria dos candomblés, muito
desses fundamentos tenha se perdido e são reproduzidos (mecanicamente)
parcialmente (sem conhecimento de seus conteúdos).
O que é mais comum na Umbanda, é tocar-se a cabeça diante dos orixás ou quando
o seu nome é mencionado e diante do congá.
Assim o gestual mais comum é tocar-se a parte frontal da cabeça (testa) e um de
seus lados (podendo tocar-se também a parte superior).
Se temos Ogum como Pai de Cabeça, por exemplo, um orixá
masculino, devemos tocar a testa e o lado direito da cabeça quando o
nome desse orixá é pronunciado ... Isso significa: "que meu caminho seja
iluminado (conduzido) por Ogum”.
Se
temos Iemanjá, ou
qualquer outro orixá feminino, como regente principal, devemos tocar a testa e
o lado esquerdo da cabeça.
Diante do Congá, onde estão representados tanto o Pai quanto a Mãe (independente
de quem seja o principal), devemos tocar (com as duas
mãos) a testa e os dois lados da cabeça.
Ori é tão importante que, Ori
Orun, é considerada como um Orixá e sua vontade deve
ser respeitada antes da vontade dos demais Orixás e Ancestrais (Livre-arbítrio).
O tão falado rito do Borí que, erroneamente, tem sido
traduzido como "dar de comer a cabeça", significa "adorar a
cabeça"" .
O lado
direito (Otun) e esquerdo (osi)
da cabeça estão ligados aos aspectos masculino (Yang) e
feminino (Yin) do Universo, inclusive os orixás. Neste caso, portanto, o
lado direito é de nossos orixás masculinos (seja o primeiro ou o segundo) e o
esquerdo de nossos orixás femininos.
O significado de Otun e Osi,
no caso presente, é diferente do que tratamos antes.
Quando você toca o lado direito da cabeça é para saudar seu orixá masculino,
quando você toca o esquerdo, seu orixá feminino ...
Umbanda é considerado a Religião dos Pés descalços.
Existem três pontos que sigo e vou levantar para posterior analise de vocês :
1-Nós costumamos tirar os calçados em respeito ao solo do terreiro, pois seria
como se estivéssemos trazendo sujeira da rua para dentro de nossas casas.
2-É também uma forma de representar a humildade e simplicidade do Rito
Umbandista.
3-Além de sermos comparados a pára-choques naturais, e ao recebermos qualquer
energia mais forte, automaticamente ela se dissipa no solo.
Embora eu tenha visto alguns terreiros nos quais é permitido usar calçados eu
sigo desta forma que aprendi, e passo para todos que me procuram, seria na minha opinião uma forma de garantir a segurança do médium
para que não acumule e leve determinadas energias consigo.
4. Força
ancestral (e devemos incluir a dos orixás e demais entidades), segundo a
cultura africana, chega-nos através do solo; o espaço de passagem do além (Orun) para nosso mundo (Aiyê) se
exatamente do interior da terra para a superfície.
5. Pela linha africana, cabe ressaltar, que a origem desse costume, nos cultos
de origem afro-brasileira, é outra; os "pés descalços" era um símbolo
da condição de escravo, de coisa; lembremos que o escravo não era considerado
um cidadão, ele estava na mesma categoria do gado bovino, por exemplo.
Quando liberto a primeira medida do negro (quando fosse possível) era comprar
sapatos, símbolo de sua liberdade e de, certa forma,
inclusão na sociedade formal. O significado da "conquista" dos
sapatos era tão profundo que, muitas vezes, eles eram colocados em lugar de
destaque na casa (para que todos vissem).
Ao chegar ao terreiro, contudo, transformado magicamente em solo africano, os
sapatos, símbolo para o negro de valores da sociedade branca, eram deixados do
lado de fora . Eles estavam (magicamente) em África e
não mais no Brasil.
No solo africano (dos terreiros) eles retornavam (magicamente) à sua condição
de guerreiros, sacerdotes, príncipes, caçadores ...
Vocabulário
*Dobalé =
cumprimento feito por filho de santo cujo orixá (principal) dono da cabeça é
masculino.
Deita-se de bruços no chão (ao comprido) e toca-se o solo com a parte da frente
da cabeça (testa).
*Iká = cumprimento feito por filho de santo cujo
orixá principal é feminino.
Deita-se de bruços no chão, toca-se o solo com a cabeça e, depois, vira-se para
um lado e para o outro.
*ARIAXÉ é o banho ritual de folhas durante o processo de iniciação.
Alguns banhos são de madrugada junto à fonte d'água ou na camarinha
...
Esses procedimentos são mais comuns nos candomblés e umbandas traçadas.
*Paó é um gesto que serve como sinal de
que se é preciso comunicar alguma coisa mas não se
pode falar. Isso ocorre muito no candomblé quando as iniciandas
estão no roncó e não podem
falar, daí batem com as palmas das mãos tentando dizer algo, se comunicar por
algum motivo.
É uma palavra em yorubá que significa "pa" é juntar uma coisa com outra e "o" para
cumprimentar... essa palavra é uma contração de ìpatewó que significa aplauso.Além da situação mencionada,
serve também como saudação para orixá.
*KOLOFÉ é um
pedido de benção ou votos de benção. Por exemplo, se eu encontro alguém (mais
velho, mais sábio, mais graduado) eu digo, "Kolofé" ... e a pessoa vai me responder,
Kolofé Olorun (as bençãos de Deus).
Essa é a benção entre os jejes (Benin); entre os nagô
é MOTUMBÁ, entre os banto é MUKUIÚ ... seria o saravá dos Umbandistas ...
Na verdade funcionam como benção (e pedido de benção) e saudação.
PEDIDO / RESPOSTA.
ROLOFÉ / KOLOFÉ OLORUN.
MOTUMBÁ / MOTUMBÁ AXÉ.
MUKUIÚ / MUKUIÚ N'ZAMBI.
*AXOGUM, no
candomblé, é o sacrificador dos animais.
*ADJÁ é a pequena sineta de metal (ou um tipo de chocalho) usada em diversas
cerimônias. Uma de suas funções é ser tocada (junto ao ouvido do médium) para
auxiliar o transe.
*QUIZILA é
uma proibição ritual (determinada pelo orixá) para o iniciado... Não pode
comer, beber ou fazer determinada coisas... Termo usado também para
repugnâncias pessoais do orixá, para coisas que causem aborrecimento ao orixá. Sal,
por exemplo, é quizila para Oxalá .
* Ogã (ògá) significa,
pessoa superior, chefe.
*Ekédi é um cargo de candomblé, é uma pessoa auxiliar das
filhas de santo que entram em transe, ela as ajudam a se vestir, segurando-as
para não tombar, esse é um cargo bem parecido com o de Cambono
de Umbanda.
*Ajibonã é um cargo de auxiliar de mão de santo, o mesmo que
*Iyá Kekere, ou mãe pequena.
*Yaô é uma saceredotisa inicante, uma filha de santo com menos de sete anos.
*Ebomim é uma filha de santo que já fez sua obrigação
de sete anos, seria uma segunda etapa, só depois desse período é que ela recebe
o Deká e poderá se tornar uma Ialorixá.
*Samba seria uma mulher com as mesmas funções de Ekedi,
é um termo que se usava antigamente em candomblés bantos.
* Búzios é chamado
de cauri ou caurim, que
antigamente era usado como dinheiro em alguns lugares da áfrica, é uma pequena
concha, de forma oval. O nome do processo divinatório utilizando-se os búzios
se chama "dilogun", que saõ
usados 16 búzios. Exú que traz as respostas,
dependendo da caida, tantos abertos e tantos
fechados, há uma combinação onde tem o significado e resposta a pergunta.
Juremá - Seria um espaço mítico onde
habitariam os caboclos... uma espécie de mata ou
floresta no astral...
Jacutá - É
um título dado a Xangô que significa "lutar com as pedras".... Esse nome tbm se refere ao 5º
dia da semana iorubá, no qual Xangô é cultuado...
Humaitá - dizem ser relativo a Ogum, sua morada... mas na
realidade, devido ao sincretismo, está ligado à São Jorge, local de luta do
Santo Católico...!
Calunga é uma palavra de origem bantu que quer dizer cemitério mesmo; tanto o que se
enterra; como o fundo do mar que tudo recebe.
Por isso, Nanã é a senhora das profundezas do mar, do
fundo dos rios; onde se dão a regeneração e o sepultamento dos seres da
natureza.
*Opelê Ifá é uma espécie de colar
aberto, usado também para adivinhação. É formado por oito meia-nozes
de dendê ligadas por elos de metal ou trança-se com palha da costa, deixando no
centro um espaço maior, uma das pontas, a masculina, é terminada por um nó, a
outra ponta que é a feminina, por 4 ou 5 fios de palha
da costa. Só o verdadeiro Babalaô (sacerdote de Ifá) poderá jogar o Opelê. Ele é jogado
em uma peneira de palha, com colares e búzios em volta, quando joga ele tem que
cair em forma de U, com o lado aberto voltado para o Babalaô,
com uma só jogada você tem o Odu da pessoa, enquanto
quando jogamos os Búzios precisamos de 8 jogadas para saber o Odu. É um sistema super complexo de se jogar, pois as nozes
podem cair com o lado côncavo ou convexo para cima, dando uma infinidade de
combinações.
*Ariaxé é um banho ritual de folhas que se toma
durante a iniciação, na verdade é usado 21 tipos de
folhas e 16 de cada tipo.
* Ixé é aquele poste que fica no centro do terreiro
nos candomblés tradicionais, ele não chega a atingir o teto pois ele não serve
para sustenção de telhado, ali ficam enterrados os axés
(assentamentos) da casa, e as iaôs dançam em volta dele, ali também se realiza
o axexê. Em cima de alguns Ixés
ficam os símbolos do Orixá protetor da casa. O Ixé também
é o nome do mastro que sustenta aquela bandeira branca que vemos em alguns
terreiros.
* Bori =É um preceito, uma liturgia de iniciação. Normalmente
se faz em casas de raiz africana ou com fortes
fundamentos afro.
*Curimba/Corimba.
A palavra curimba (ou corimba) deriva,
segundo pesquisa de Nei Lopes, do quimbundo KUIMBA, correspondente ao umbundo OKUIMBA, cantar.
Quimbundo e Umbundo
são dialetos angolanos.
ORIXÀS
*Iroko.
Iroko é o orixá em forma de árvore ou, como dizem outros, o orixá que
mora na árvore do mesmo nome (irokò).
No Brasil, Iroko mora na Gameleira Branca (ficus) ... as raízes da árvore são
consagradas e seu tronco é envolto por um ojá (pano
branco).
Iroko tem poucos filhos e raramente se manifesta nos terreiros; isso, segundo
alguns, se dá pq os fundamentos para feitura desse
orixá são complexos e praticamente perdidos ...
Entre os Bantos (congo-angola), dizem alguns, Iroko é conhecido como Tempo ou Katende.
Iroko é o senhor do tempo cronológico e meteriológico.
Irokô representa também a natureza e os nossos
ancestrais (tataravós, bisavós, avós, pais).
O dia consagrado à Iroko é terça feira. Suas cores são o branco, o verde e o cinza.
*Obaluiê e Omulu são dois aspectos do mesmo orixá. O nome desse orixá
é Xapanã.
Xapanã é o responsável pelo ciclo de vida de todos os
seres e todas as coisas. Ele é o responsável, pois, pela saúde de todos e de
tudo.
O aspecto jovem de Xapanã (Obaluaiê)representa o nascimento, o ínício
do ciclo de vida.O aspecto velho de Xapanã (Omulu) representa o final do ciclo de vida (a morte).
Obaluaiê = Obá (rei) + Oló
(dono) + Aiyé (mundo) ... Rei Dono do Mundo.
Omulu = Omú (agudo, afiado,
profundo) + òòlu (furador) .
O que fura profundamente.
O título de "O que fura profundamente" se deve a varíola (feridas no
corpo), doença que muito matava em África. E era através da varíola
(principalmente) o modo pelo qual Xapanã, em seu
aspecto Omulu (final do ciclo de vida), mais promovia
o desencarne dos seres humanos.
*** aqui uma dica do porque Omolu/Obaluaiê
é colocado, por muitos, fora do congá.
Será que é
por causa da lenda e acabou virando uma tradição?
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Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a
presença de todos os orixás. Obaluaiê não podia
entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas
frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma
roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a
entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo
acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia. Iansã esperou que ele
estivesse bem no centro do barracão. O xirê (festa,
dança, brincadeira) estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas ekedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas
roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas
de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa
chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê,
o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Obaluaiê e Iansã Igbalé
tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos
mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos
sobre os homens. ------------------------------------
Complementando:
Além do que narrastes Ele, Omulu/Obaluiê,
foi alvo do deboche dos outros Orixás porque dançava (de forma bizarra) com
suas muletas.
Em mito anterior a esse, depois de envergonhado pelos outros orixás, em outra
festa, Omulu foge e vai viver sozinho no meio da floresta , na solidão Omulu
(através da meditação) encontra a cura (sabedoria, iluminação) para a sua
doença (feridas d'alma, ignorância, trevas) ...
*** O mito que narrastes tem a ver com tudo isso (também) ... Os demais orixás
não queriam Omulu por perto, afinal, ele, ao
contrário dos demais orixás, era deformado. Iansã, contudo (além de Ogum que o
ajudou) via além das aparências e, com seu vento sagrado, mostrou a
verdadeira face de Omulu.
Na verdade é o medo da morte (doenças) que faz com que os demais orixás
(representado todos nós, que tememos e não compreendemos a morte) queiram Omulu bem distante ...
Quem quer ver a face da Morte???
Omulu dentro da crença umbandista é quem recebe os
mortos (no cemitério) e encaminha suas almas ao além (onde serão recebidas, as
almas, por Nanã).
Toda essa proximidade com a morte (somada à nossa ignorância) acaba colocando Omulu/Obaluaiê fora do congá ...
Já está na hora de Omulu estar no Congá de todos os
terreiros, né???
Agora já sabemos que mais do que o coletor das almas, de ser aquele que manda a
morte (Iku) nos buscar, Omulu
é o médico cósmico, responsável pela saúde de todo o Universo.
*OMULU,
OBALUAÊ FORA DO GONGÁ
Vou dar aqui uma outra visão sobre este Orixá ficar fora do Gongá, aliás,
não seria bem fora do Gongá, e sim no chão (Terra).
No meu Terreiro, e em outros que freqüentei (pelo menos os que me lembro
agora), já vi sua silhueta na parte debaixo do Gongá, com uma divisão do povo dágua que fica também ali, ou então do lado de fora, quando
a altura da imagem não permite, e sempre do lado esquerdo de quem olha para o
Gongá.
Na minha visão isto não se dá por causa do medo dos outros Orixás, e sim pelo
contato com a Terra, essência deste Orixá, facilitando também a colocação das
Oferendas para Ele, também no chão.
Doburu (não odoburu) são
Pipocas de um milho especial, rebentado ao calor do fogo numa panela de ferro
ou na areia quente, é a comida predileta de Omulu/Obaluaiê sendo sua comida votiva.
*O tal "medo" dos orixás (em relação à Omulu)
que, na verdade, está mais para repugnância, é tão somente uma alegoria
(mitológica).
Segundo outros mitos até Nanã, sua mãe, o abandonou e
ele foi criado por Iemanjá ...(aqui a rejeição tem um sentido diferente do
demonstrado pelos outros orixás).
A rejeição mitológica (por parte da maioria dos orixás) se dá, na cultura nagô,
devido a proximidade de Omulu com a morte ... entretanto, é claro, outros significados estão contidos no
fato de Omulu/Obaluaiê
estar "fora" do Congá.
* Omulu/Obaluaiê (Xapanã) tem profunda ligação não só com a terra (matéria,
plano físico), mas com a estrutura atômica de todos os planos do universo.
Xapanã "cria" os tijolos do universo (em
todos os planos) e usando o poder de Iemanjá (vida) como liga, permite ao
grande responsável pelo desenvolvimento da vida através da forma, Oxóssi, engendrar as mais belas obras.
Obaluaiê, Nanã ... palha
e búzios.
Nanã e Omulu/Obaluaiê estão intimamente relacionados ao ciclo de
existência, ao nascimento e a morte ...
A passagem do além (orum) para o plano físico (aiyê) e deste (de volta) para o além, está subordinada a
esses orixás ...
Os espíritos são considerados descendentes (e dependentes) de Nanã e Obaluaiê ... mitologicamente Nanã representa a ancestralidade e a descendência femina e Omulu/Obaluaiê a ancestralidade e a descendência masculina ...
Um dos símbolos fundamentais, na cultura nagô, da descendência era a palha
desfiada e os búzios ... Por isso, tanto nas representações e ferramentas
(objetos rituais) de Nanã quanto de Obaluaiê, a palha e o búzios são bastante usados ...
O cetro ritual de Obaluaiê (xaxará)
é feito (e trançado) de palha e enfeitado com búzios. Da mesma forma o cetro de
Nanã (Ibiri) é feito; a
grande diferença é que o cetro de Nanã é volteado na
extremidade superior, forma vaginal ... cabe lembrar que ela representa a ancestralidade e a
descendência feminina ...
Uma curiosidade: outro símbolo dos ancestrais (eguns, dos mortos), na cultura
nagô, eram os dentes ... por isso aprendemos com os
negros que "sonhar com perda de dente é morte de parente".
*** Só para registrar: em outros contextos outros orixás também representam a descesdência; Iemanjá, Oxum e Iansã são exemplos disso .. só que no caso de Nanã e Omulu/Obaluaiê isso é mais
significativo, mais profundo.
Orixá da cura, continuidade e da existência !!!
Chegando de viagem à aldeia onde nascera,
Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a
presença de todos os orixás. Obaluaiê não podia
entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas
frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma
roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a
entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo
acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Obaluaiê e dele se compadecia. Iansã esperou que ele
estivesse bem no centro do barracão. O xirê (festa,
dança, brincadeira) estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas ekedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas
roupas de palha com seu vento. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas
de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa
chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê,
o deus das doenças, transformara-se num jovem belo e encantador. Obaluaiê e Iansã Igbalé
tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos
mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos
sobre os homens.
Omulu/Obaluaiê era filho de
Nanã, certo. Ela o abandonou porque ele nasceu todo
feinho e cascorento (de feridas), daí quem o pegou
para criar foi Iemanjá. Após Iemanjá se tornar sua mãe, ele se transformou num
Orixá muito bonito. Aí que entra a pipoca, ela sai do milho para se transformar
em pipoca, essa transformação do milho em pipoca expressa claramente o mito,
tanto que a pipoca é chamada de "Flores de Omulu",
por ter saído de um estado péssimo e se transformado numa coisa mais bonita,
digamos assim.
A Sacerdotiza.
À Nanã, no tarô, corresponde a Sacerdotiza ...
"A Sacerdotiza é yin, princípio feminino, emocional
e passivo. É a guardiã dos poderes celestes, símbolo da fertilidade, Eu
espiritualmente desenvolvido.
Se descuida um pouco no agir, vive conscientemente, mas todo o poder que emana
de si ela só coloca em prática no momento em que volta-se e mira seu próximo
passo - a Imperatriz."
(Leila Soares).
*** curiosidade: Imperatriz = Iemanjá.
Um dos papéis da Sacerdotiza é dar acesso (ou não)
àquele que busca o conhecimento (o inciado) aos
mistérios, aos níveis mais profundos de consciência, aos outros planos (de
existência).
Nanã, para os nagô, como a Sacerdotiza
(do tarô) é a Grande Senhora que possui a chave que abre (ou fecha) a passagem
entre os mundos (ou estados de consciência), que para eles eram nove (nove oruns).
*** como esses africanos eram sabidinhos, né? ...
Nanã X Ogum.
Para entendermos a oposição mitológica entre Nanã
e Ogum, é necessário levarmos em conta que:
1. Nanã não é um orixá (originariamente) nagô; seu
culto é oriundo da cultura jeje. Ogum é nagô, o mais
popular dentre orixás nagô.
2. Nanã é o mais antigo dos orixás, Ogum é o orixá
filho (de Oxalá e Odudua) mais antigo. Ogum foi
criado logo após Exu, e, como exu na cultura nagô não é alguém mas algo (uma força impessoal), Ogum é considerado o
primogênito.
3. O culto à Nanã surgiu na idade da Pedra (é o mais
antigo), quando a organização social era o matriarcado.
O culto à Ogum surgiu na idade do ferro, quando a organização social era o
patriarcado.
4. Nanã representa a tradição, o antigo. Ogum é o
avanço, é o desbravador, a descoberta de novos caminhos.
Ogum é o herói civilizador, é o orixá que ensina o homem a construir (com o
ferro) instrumentos de guerra, caça, pesca e agricultura ...
Ogum é o Pai da Tecnologia.
Nanã é a representação da senioridade, da tradição ... Nanã é também aquela
que tem a chave da porta entre os mundos (físico/espiritual
...consciente/inconsciente).
Ser a dona da chave entre os mundos é outro elemento que a conflita com Ogum ... Ogum é considerado (juntamente com Exu) o dono dos caminhos ... Ogum não gosta de pedir licença
...
Tudo isso é simbólico, Ogum e Nanã se dão muito bem
(obrigado) ...
* Exú quer dizer Esfera na lingua iorubá, é um conceito de algo que influencia tudo e a
todos, uma coisa infinita, é o princípio de tudo.
Exú é o elemento dinâmico universal, sem ele nada
existiria, tudo precisa de sua energia para existir.
Segundo alguns dicionários esfera significa: meio no qual a influência de
alguém, a ação de alguma coisa produz a plenitude do seu efeito; extensão de
atribuições, de poder, de competência;
É realmente isso que Exú, na sua tradução Esfera quer
mostrar...
*Oni Ibeji é
como é chamado em África o gênio tutelar dos gêmeos .
Ele seria uma "divindade" mas não dá mesma
grandeza dos demais Orixás ...
O nascimento de gêmeos, em África, era considerado como algo extraordinário, sobrenatural ... um fato devido a invervenção do "além" ... Em uma região onde a
mortalidade infantil é enorme, o nascimento de gêmeos é considerado, claro, uma
benção ... Os gêmeos eram cercados de tamanha admiração
e atenções que (acreditava-se) tinham a proteção de um gênio protetor, Oni Ibeji (O Senhor dos Gêmeos).
No Brasil Ibeji passou a ser relacionado às entidades
infantis que se manifestam na Umbanda ... representa, também, para nós umbandista a pureza divina.
Uma curiosidadë: apesar da grande mortalidade
infantil, a Nigéria, berço da cultura nagô (de onde herdamos a base do culto
aos orixás), é o país que tem o maior índice de nascimento de gêmeos.
*Oya e Xango
Oyá nos mitos é mulher de Xangô.
Isso, na verdade, é uma referência (simbólica) à relação cósmica entre os
orixás Oyá e Xangô ...
Xangô representava na cultura nagô a Lei Cósmica ... não
apenas a lei moral, mas a lei da física, da química, as leis matemáticas ... toda e qualquer lei do universo ... Xangô seria, em termos
mais modernos, a lei que, através da mente divina, está em tudo e em todos ...
Oyá, sua contraparte (feminina) seria a atividade (a
lei em ação) ... aqui cabe ressaltar algo muito
interessante; normalmente o aspecto masculino representa a agressividade, a
atividade ... no caso de Xangô e Oyá,
ela representa a ação, atividade incessante, inquietude (o vento representa bem
isso).
Poderíamos dizer que Xangô é o arquiteto cósmico e Oyá
a engenheira ...
Por tudo isso eles aparecem (ligados) em muitos mitos ... (e também têm uma
relação mística com Ogum).
Oyá está muito ligada à inteligência divina (e
humana), ela seria a mente concreta (ação do pensamento) enquanto Xangô a mente
abstrata (arquétipos mentais) ...
Os esotéricos diriam que Xangô é o Mental Cósmico Superior e Oyá o Mental Cósmico Inferior ... Eles se complementam !
Incrível, não é? Aqueles caras lá de África (escravos)
tinham uma visão metafísica muito superior a de seus algozes (escravagistas
europeus) ...
Somente muitos anos depois, a Europa, através de Allan Kardec, veio conhecer
conceitos como reencarnação, universos paralelos e multiplicidade de corpos
(veículos do homem). Conceitos esses já conhecidos pelos africanos e hindus .
Comida de
Orixá...
A comida votiva de um Orixa,
representa uma simbologia, simbologia esta que parte, geralmente, da
mitologia. Não podemos limitar as comidas dos Orixás a um culto específico, não
podemos dizer que somente no Candomblé exista a simbologia da comida ritual. A
comida é uma representação e diz muito sobre determinado Orixá.
Ninguém atenta para determinados detalhes pois acham
que na Umbanda isso não convém. Por exemplo, na Umbanda não existe o ritual do Padê como no Candomblé, mas no início de cada sessão
saudamos Exú por que?... para mim isso é um ritual para pedir a mesma coisa... só que de maneira diferente...
Qual seria a representação da "Farofa de Exú",
que é basicamente feito de farinha e água? Acredito que todos os Umbandistas já
devem ter ouvido falar nessa "oferenda ritual". Analisando o contexto
mitologico chegamos a
conclusão das simbologias... Exú (Orixá), que é o
princípio dinâmico universal, aquele que dá origem a tudo e a todos, aquele faz
agente ser nós mesmos, que nos dá a indivialidade, na
mitologia podemos observar que da junção energética de Oxalá e Odudua, nasce Exú. Oxalá é
representado pela Água, Odudua é representada pela
terra e da mistura da Água com a Terra nasce Exú...
Daí a simbologia da Farofa de Exú...
Dentre outras posso tbm citar a simbologia da Pipoca
(onde já citei neste tópico) que Omulu/Obaluaiê era filho de Nanã,
certo. Ela o abandonou porque ele nasceu todo feinho e cascorento
(de feridas...rs), daí quem
o pegou para criar foi Iemanjá. Após Iemanjá se tornar sua mãe, ele se
transformou num Orixá muito bonito. Aí que entra a pipoca, ela sai do milho
para se transformar em pipoca, essa transformação do milho em pipoca expressa
claramente o mito, tanto que a pipoca é chamada de "Flores de Omulu", por ter saído de um estado péssimo e se
transformado numa coisa mais bonita, digamos assim...
*Vou dar uma definição de Orixá de uma maneira geral, qual era a visão dos
africanos em relação a Orixá e qual a visão de nós Brasileiros pertencentes a Umbanda...
Bom, o Orixá ele pode ser representado por uma ancestralidade, pessoas ou
membros de uma grupo ou família que cultuavam determinado Orixá e esse acaba
por se tornar esse orixá, neste caso dizemos ser um Ancestral Divinizado,
exemplo disso é Olufiram 4 rei da cidade de Oyó que acabou por se tornar uma qualidade de Xangô.
Quando citamos as forças da natureza significa que todo Orixá é identificado
com um fenômeno natural, ou seja, se os Orixás são criações divinas e a
natureza tbm na antiguidade africana eram
considerados os próprios fenômenos, por exemplo o
fenômeno da pororoca que existe aqui no Brasil, na África eles considerariam
uma Briga de Oxum com Iemanjá
Dizemos Orixás Cósmicos quanto a sua energia, cada Orixá emana uma energia
diferente, cada pessoa é possuidor de uma energia (de um órixá),
quando é considerado energeticamente ele é apenas uma força que emana para algo
específico, todos nós possimos a energia de nosso
"pai ou mãe de cabeça" em maior quantidade do que as demais, temos um
pouquinho de cada, existe aquela que é mais forte...
Podemos perceber que existem várias definições do que seja Orixá, para os
Africanos eles eram visto como tudo isso, a vida girava em torno deles...
No que diz respeito a Umbanda, acredito serem os
Orixás seres de grandiosa luz e vibrações diferenciadas uma das outras nas
quais emanam centelhas dessa energia até seus filhos, daí ocorre através dos
chakras o fenômeno da incorporação...
Hierarquia
no Candomblé
Pai Pequeno e Mãe Pequena são iniciados (com condição de exercerem a
função de Zelador) que auxiliam o Zelador (Pai de Santo)... seriam
substitutos imediados do Zelador ... estariam habilitados a substituir o Pai (em sua ausência)
Seria o Pai (ou Mãe) abaixo (pequeno) do Zelador (Grande Pai).
Existem
cargos dentro do Candomblé que pode ter mais de uma pessoa exercendo, exemplo
disso são as Ekedis e Ogãs,
dentro da Umbanda tbm é assim, não necessariamte tem um só Ogã podem
existir mais, da mesma forma que os Cambonos, existem
mais de um. Outros cargos não como o da Yalorixá ou Babalorixá, não existe duas autoridades maiores dentro de
um terreiro.
Dentre os cargos existentes não há uma hierarquia, mas no candomblé se respeita
muito quem é mais velho, pois tem mais conhecimento e vivência nas coisas do
santo.
Todos os cargos são importantes dentro de um terreiro, da Ekedi
até a Yalorixá, cada um tem seus afazeres e a casa
não "funciona" se faltar uma dessas pessoas.
Vou dar alguns exemplos que talvez ajude, a te dar uma base com relação a hierarquia de cargos. A Yalorixá
é mais importante que a Ya Kekere
(mãe-pequena), mais a Ya kekere
é a segunda mais importante dentro da casa. A Yalaxé
(zela pelo axé da casa, limpeza e cuidados diversos) é o terceiro cargo
sacerdotal mais importante.
Mais como já disse todos tem sua importância, irei relacionar alguns cargos
abaixo e verá que pelo que eles são como são importantes para um terreiro.
Ya Efum é responsável de
pintar às Yaôs na iniciação, saídas da camarinha.
Ya tebexê responsável por
puxar os cântgos rituais.
Yabassê é a chefe da cozinha, ela quem prepara as
comidas dos orixás.
Yamorô é encarregada de levar a água do padê de Exú para fora do
barracão.
Yadagã ou Dagã é a mais
antiga filha de santo, ela que realiza o padê de exú.
Desvendando a
Umbanda - Míriam de Oxalá (Editora Pallas).
Umbanda: crença, saber e prática - Míriam de Oxalá
(Editora Pallas).
Umbanda - Paz, liberdade e cura - Zeca Ligiéro e Dandara (Editora Nova Era).
Ritual de Umbanda - Vera Braga de Souza Gomes (Editora Ediouro).
Universidade de Umbanda - Edyr Rosa Guimarães
(Gráfica Limitada).
Iniciação à Umbanda I e II - Diamantino Fernando Trindade e outros (Editora
Tríade).
Candomblé e Umbanda - Vagner Gonçalves da Silva (Editora Ática).
Cadernos de Umbanda (4 volumes) - Omolubá
(acho que é Editora Pallas).
*** Cadernos de Umbanda é uma obra muito singela. O seu autor é discipulo dos ensinamentos do Caboclo das Sete
Encruzilhadas (é um respeitado "Pai de Santo").
O Livro Basico Dos Chakras
Naomi Ozaniec